Um verde que é preto!

Hoje o sol brilha novamente como que a lembrar-nos que a vida vai continuar, mas cá dentro o nó ainda não se desfez… No rescaldo da subida do inferno à terra, tento perceber o que posso fazer, o que estará ao alcance das minhas mãos quando sinto que não posso ficar quieta perante este cenário de luto que se estende por Portugal. O problema dos incêndios no nosso país é um problema de sempre, acredito que será para sempre se não nos conseguirmos impor aos interesses que as chamas escondem. Não nos podemos fechar ao luto que este cenário preto nos impinge, vamos recordar o verde e a esperança que dizem ser a sua cor.

Sou filha da montanha e da mesma forma que sempre senti a sombra de um castanheiro como uma benção, fui obrigada a sentir também o verão como um castigo! Todos os dias olhamos o horizonte pela sua beleza inigualável, mas sem nunca podermos esquecer o olhar de guarda florestal, como se precisássemos sempre de estar a adivinhar o inimigo! E este inimigo, este ano, chegou na sua máxima força!

Há 15 dias subi a Serra, lá do alto, daquele ponto tão perto do céu, vi o Diabo a chegar… Pouco mais de uma semana depois, ele instalou-se e tomou conta do nosso bem mais precioso. E agora? Vivo na cidade, ainda não voltei a subir a encosta da minha aldeia para voltar a abraçar os meus, felizmente todos estão bem, mas as imagens contadas que me chegam são de um profundo desolamento… Um verde que é preto!

E que caminho fazemos agora? É preciso que a chuva, que tão valiosa foi neste combate desigual, não leve pelas ribeiras as memórias desta desgraça… É urgente mudar este país que perdeu tanta gente nesta guerra cujo verdadeiro inimigo ninguém sabe quem é…

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Abre-te Janela!

Sufocar. Abafar. Conter. Reprimir. Afogar. Refrear. Esmagar. Prender. Asfixiar. Deixar de respirar… Morrer! Há cerca de ano e meio fechei esta janela. Cansada de correntes de ar, de correrias de tempo, de tempo que passa em correrias, achei que não fazia sentido ter uma janela de portadas abandonadas ao vento. Mas depois de 18 meses fechada, o que não faz sentido é este sufoco, este abafo, está asfixia!

E se volto, tenho que voltar com poesia. Essa música dita pelos que sabem falar a língua dos sonhos, da magia e de tudo o que realmente importa. Não vai ser a primeira vez que vou roubar as palavras a Pessoa, não será a última. Entre aquilo que vem e passa, o que fica é o que realmente nos constrói… Este poema é um dos meus favoritos, pelo uso de simples palavras que se unem numa complexidade onde me descrevo, me perco e me encontro e onde nunca me canso de ser.

Fernando, obrigada por seres tantas vezes a lufada de ar fresco que me faz acreditar que o mundo é muito mais que gente que nem sequer aprendeu a dizer um simples Bom Dia!

Entre o sono é o sonho

Entre o sono é o sonho
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre –
Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa

Fim!

«Uma janela é sempre um meio de comunicação, uma ponte, uma ligação entre os dois mundos que vivem de cada um dos seus lados… Uma janela é um ponto de partida, um local do pensamento, um telescópio para o mundo que há-de vir… Uma janela é sempre uma janela que podemos abrir ou fechar consoante precisamos de mais ou menos ar fresco…»

Foi assim que comecei este meu blogue! Foram estas as minhas primeiras palavras sobre aquilo que ele era, ou que eu queria que ele fosse! Durante muitos meses fomos amigos de jornada quase diária. Era desta janela que eu via o mundo, era quando chegava aqui que eu respirava fundo e encontrava as palavras certas para desabafar e poder continuar a minha caminhada. Mas as caminhadas mudam de rumo, às vezes mudam até os próprios caminhos. Nos últimos tempos, tenho vindo mesmo a perceber que, muitas vezes, somos mesmos obrigados a mudar até as nossas janelas. Hoje, 2311 dias depois, vou deixar de janelar aqui!

O que cá está fica para sempre, é essa a promessa da Internet. Nas linhas deste mundo tecnológico tudo ficará guardado eternamente. Com estas palavras que fui escrevendo ao longo de mais de 300 semanas ficam também muitas alegrias, muitas tristezas, mas acima de tudo muitos momentos da vida que me pulsou no peito ao longo deste quase 7 anos de partilhas!

Houve posts para todos os gostos: descritivos, analíticos, emocionais, literários, musicais, doentios, humorísticos e até vazios. Afinal os nossos dias são cheios de tudo, do muito e do pouco e outras vezes até do simples nada! A minha certeza neste momento é que cada publicação valeu a pena por muitos motivos: por ter podido escrever e brincar com as palavras, por ter podido contar as histórias que se somavam na minha cabeça, por ter podido partilhar ideias e sentimentos com quem sempre janelou comigo!

Porém, tal como já dizia Camões: «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades». E depois de eu ter vindo aqui 500 vezes dizer qualquer coisa, acordei diferente. Hoje já não tenho mais o mesmo tempo, já não tenho mais as mesmas vontades. Acho que é aqui que o presente se desencaixa do passado e do futuro e o nosso âmago nos abriga a fazer algo diferente. Podia simplesmente ir embora, mas não gosto de cinzentos e não achei que fosse correto deixa a janela a bater ao vento! Foi por isso que vim fechá-la!

Não aceito lágrimas, claro que se as houvesse seriam só minhas, mas não as aceito na mesma. Um fim não tem que ser necessariamente uma coisa má e é nisso que eu acredito. Ao contrário do que nos dizem tantas vezes, a mudança é uma janela de oportunidades e em lado nenhum está escrito que seja sinónimo de dificuldades. No fundo, o que eu preciso é de uma Janela nova porque mesmo quando as coisas são difíceis não têm que ser más!

Para não me alongar mais, como se este post tivesse que ser o maior e o mais longo alguma vez janelado… Despeço-me, agradecendo! Agradeço, agradeço a todos! Aos que me leram, aos que me criticaram, aos que me aplaudiram, aos que me apoiaram e ainda mais agradeço a todos os que viveram comigo nesta Janela de MIM!

Bem-hajam!

FIM!

vinte e nove de fevereiro

Hoje é um dia especial, um dia que não acontece sempre, um marco no tempo de quem vai vendo o seu passar… De quatro em quatro lá aparece este para nos mostrar que as pequenas imperfeições tornam o mundo ainda mais perfeito. Então paremos… Pensemos um pouco no fluir da vida, em tudo o que vamos deixando para trás, em tudo o que queremos encontrar pela frente!

Para mim, já o disse aqui, os bissextos são místicos, intensos, fora de série. São anos únicos, ímpares, palco de acontecimentos diferentes de tudo o que já se experimentou até então. Os bissextos estão sempre ligados a sentimentos de mudança, de crescimento, de evolução. Podem até e ao mesmo tempo ser sinónimos de grandes perdas e de grandes vitórias. Enchem-nos e esvaziam-nos de tudo o que somos para depois podermos ainda ser outras coisas mais diferentes! Nasci num ano bissexto, talvez a nossa relação de proximidade tenha começado aí… Foi sem dúvida um ano histórico na minha vida!

A este ano bissexto que agora vivemos ainda não lhe encontrei a força e, para falar a verdade, tenho sempre um pouco de medo desse momento. Nunca tenho a certeza se ele me vai dar ou tirar alguma coisa, não sei se o momento que me espera é de lágrimas ou gargalhadas. Mas hoje senti que não posso simplesmente ficar à espera…

Há uns tempos, aprendi uma palavra nova. Não foi eu que a inventei, pois é certo que ela não existe no dicionário, bem como é certo que gostava de ter sido… Ora, quando não há nenhum vocábulo que signifique em pleno o que sentimos, que se criem palavras novas e que se faça a língua evoluir! Assim sendo, este bissexto só me tem sabido a: Fartitude!

FARTITUDE – substantivo feminino; conjunto de circunstâncias rotineiras, essencialmente aborrecidas e desagradáveis que causam no sujeito um cansaço repetitivo…

 

O 31 que é a minha vida… p4

Hoje é só mesmo para avisar que o Natal está quase aí, estamos já a menos de um mês e por isso a contagem decrescente começou…

Quando a prendas, não preciso de nada para o ano novo! Como diria uma amiga minha: “Basta-nos Atitude!”

Quando a outras coisas, já comprei a agenda que me vai acompanhar em 2016, por isso se me quiserem oferecer coisas, esta categoria já está preenchida!

Faz parte desta coleção da Ambar e é o meu destino mais desejado! Espero fazer de cada dia do novo uma inspiração…

2015_11_26

31 e 7 meses e 11 dias

O 31 que é a minha vida… p3

Hoje estou de folga, finalmente! Após 9 jornadas seguidas sem parar, dias esses que me destruíram as costas, as pernas e mais um pouco da alma, estou finalmente a viver o merecido descanso… Na verdade mais do que merecido, porque o que ninguém merece é trabalhar tanto tempo!

Depois de me ter dado ao luxo de dormir sem despertador, acordei bem disposta. Mas também natalina! Sim, eu sei que ainda faltam dois meses para o Natal, mas que mal há em começar a preparar e a aproveitar já uma das melhores coisas que o Inverno tem? Hoje começo com as listas (eu e as minhas listas intermináveis), as listas das pessoas a quem quero escrever, a quem quero fazer chegar a minha amizade e o meu amor. Vou fazer também a lista das decorações que é preciso comprar e fazer e ainda as listas das receitas novas a experimentar! Este ano vou fazer bolo rei… com as minhas próprias mãos… aos…

31 e 6 meses e 12 dias

O 31 que é a minha vida… p2

Há uns dias à noite estive a pensar se passar os 30 é ainda crescer ou será já envelhecer. Queria perceber a toda a força se estes conceitos se envolvem ou se excluem, mas sinceramente não cheguei a nenhuma conclusão definitiva! Estando de pé a fazer algumas tarefas quotidianas depois de muitas horas de trabalho, parecia-me apenas que passar os 30 é envelhecer… ou não estivessem as dores nas costas a tramar-me aquele fim de dia. Por outro lado, não podia ignorar simplesmente a montanha de coisas que a cada dia vou aprendendo, porém também não posso deixar de ver como estas últimas aprendizagem são tão mais aborrecidas e tristes que as da verdadeira juventude.

Mergulho na Natureza

31 e 6 meses e 7 dias